Trump ameaça suspender DACA e deportar 800 mil jovens dos EUA.

Trump é pressionado por Ministérios do Texas para suspender o DACA
O decreto de suposta suspensão pode ser anunciado nesta terça-feira

O clima é de medo entre os jovens imigrantes nos EUA, protegidos pela Ação Diferida para chegada de Jovens Imigrantes (DACA em inglês), decreto assinado pelo presidente Barack Obama, que beneficia imigrantes ainda sem documentos e que chegaram crianças no país.

Mas o destino de 800.000 jovens está prestes a mudar a qualquer momento com a decisão do presidente Donald Trump, segundo alerta a imprensa norte-americana, de suspender o decreto assinado por Obama, que assegura  a permanência dos chamados sonhadores  - os dreamers – no país.

A decisão, ainda sujeita a alteração, seria anunciada nesta terça-feira e viria acompanhada de um prazo de seis meses para que o Congresso encontre uma saída. Durante campanha eleitoral Trump já prometia acabar com esse programa, aprovado por Barack Obama no verão de 2012 e que nunca teve a simpatia dos republicanos.

Mas o cancelamento, apesar de bem recebido pelo núcleo duro de seu eleitorado, colocaria o presidente no lado mais escuro e radical do aspecto político.

Os prejudicados com a nova medida são imigrantes mais jovens e integrados, aqueles que sentem os EUA como seu país e que se esforçaram para cumprir suas leis e progredir. Tirar-lhes a proteção, abrir a porta de para expulsão, como alertam as pesquisas, supera o limiar da tolerância de muitos eleitores republicanos.

Os beneficiados pelo programa  Ação Diferida para Chegada de Jovens Imigrantes (DACA) encarnam como poucos o sonho norte-americano.

Obama assinou o decreto em 2012
Como funciona o DACA - Para serem aceitos, devem ter entrado nos Estados Unidos com menos de 16 anos, ter menos de 31 anos completos em junho de 2012 e ter vivido permanentemente no país desde 2007. Também não podem ter antecedentes criminais e precisam estar estudando ou ter o ensino médio completo.

Em troca, têm permissão de estudar, trabalhar e dirigir, bem como acessar a previdência social e dispor de um cartão de crédito.

Em um sistema desumano com os desfavorecidos, o DACA propicia um escudo que lhes permite avançar, mas em nenhum caso representa a concessão de residência. É somente uma permissão que adia a possibilidade de deportação e precisa ser renovada a cada dois anos.

Em 2012, jovens pressionaram Congresso para aprovação do DACA.
Obama nunca conseguiu um apoio majoritário do Congresso. A lei que deveria oferecer cobertura aos dreamers se chocou com a intransigência  obstrucionista dos republicanos e o Governo democrata acabou impondo um paliativo legal mediante um decreto presidencial.

Essa falta de apoio parlamentar permite agora que seu sucessor – Trump -,  a elimine com uma canetada. Dez ministérios públicos estaduais, liderados pelo Texas, deram um ultimato a Trump para cancelar o programa nesta terça-feira. Caso contrário, vão impugná-lo.

Em uma carta, 400 diretores, entre eles os de Facebook, General Motors e Hewlett Packard, aconselharam o presidente a proteger os dreamers. “São uma das razões pelas quais continuamos tendo uma vantagem competitiva global”, escreveram, e estimaram em 460 bilhões de dólares (1,4 trilhão de reais) o prejuízo que sua saída poderia trazer.

Walther Alvarenga


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