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Menino solitário, em Copacabana, mostra ao mundo Brasil racista e desrespeitoso.

Esta fotografia vem sendo mostrada em vários países. Descaso do Brasil.
A imagem vale mais do que mil palavras: criança abandonada.
Por que o Brasil exporta imagens de mulheres em posições vulgares – caso do desastroso videoclipe Malandra da cantora Anitta? Situações que denigrem a nós, brasileiros, lembrando-se do lamentável episódio quando a chancelaria de Israel chamou o Brasil de “anão diplomático”. Respeito o meu país, mas os episódios que aqui ocorrem – costumeiros – dão margens às taxações e indagações a nosso respeito – isso inclui você e aos que compõem o universo tupiniquim.
A fotografia de um menino negro, pobre, o chamado “descamisado”, sensibilizou o mundo. Ele está no mar de Copacabana, com o olhar perplexo – –maravilhado –, diante da queima de fogos– de– artifício na virada do ano, no Rio. O olhar do garoto exterioriza perplexidade de algo que até então não lhe era permitido ver, mas, pela complacência dos fatos, conseguiu ter acesso.
A sensibilidade do fotógrafo da Reuters, Lucas Landau, alcançou uma cena das mais dramáticas – a depreciação e o desrespeito do nosso país com as crianças pobres –; a beleza angelical – a inocência de uma criança, refém do que há de mais bonito no seu universo de limitações –; o círculo das vaidades – note, leitor do BLOG, que o garoto parece estar em uma arena, circundado por pessoas que se abraçam entre si, mas que o ignoram.
A imagem do garoto humilde, desacompanhado de pais e de irmãos – solitário –, evidencia o quanto vale um sonho. Há os que conseguem desfrutar em redomas esplêndidas, como podemos observar a importância de um único momento para o olhar sofrido. O quão significativo isso é.
Vivemos sim em um país racista, individualista e egoísta. Um Brasil onde temos como parâmetro de celebridades, por exemplo, Claudia Leite, Anitta e tantas deformidades culturais, que além do aeroporto do nosso país – lá fora -, ninguém sabe quem é. Esse o nosso conceito nanico de notoriedade.
Não foi descoberto o nome do garoto da fotografia, segundo argumentou o fotógrafo, entretanto, o que se confirmou é que ele tem apenas nove anos de idade. Esse menino na verdade, é o símbolo do abandono no Brasil, do descaso com as pessoas mais simples. Ele, o garoto maravilhado no mar de Copacabana, é resquício de um sistema estropiado.
Recebi nesta quinta-feira pela manhã o telefonema de um amigo brasileiro, que reside com esposa e filhos em Dublin, na Irlanda. Perplexo com a foto do menino no mar de Copacabana – a imagem repercutiu no exterior –, ele disse que tinha sido hostilizado por clientes do restaurante em que trabalha. Um casal irlandês lhe mostrou a fotografia do garoto com a seguinte pergunta: É assim que o Brasil trata as suas crianças?
Eu pergunto a você, leitor do BLOG, consegue enxergar o verdadeiro sentido de um garotinho, solitário, olhando extasiado para o céu, no mar de Copacabana? Talvez o menino revele quem somos de fato: cúmplices ou indiferentes ao que ocorre a um palmo do nosso nariz. 
Walther Alvarenga


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