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A triste e sombria realidade de Mount Vernon, desabafa poços-caldense!

Depoimento de Paulo Bouças

 ‘A economia do país está péssima, os imigrantes sem documentos são os que mais sofrem neste cenário de guerra’

‘Não saio de casa sem máscara, o clima é de tristeza e incerteza em Mount Vernon onde vivo há 25 anos – morei 20 anos, fui para o Brasil e retornei há cinco anos. Estamos vivendo outra realidade, trancados em casa, com o trabalho escasso. A economia do país está péssima e os imigrantes sem documentos são os que mais sofrem neste cenário de guerra com o coronavírus”, relata Paulo Bouças, de Poços de Caldas, que reside em Mount Vernon.

‘Fui hoje ao supermercado e já está faltando carne. Papel higiênico não tem mais e álcool gel desapareceu das prateleiras. O rapaz que trabalha no supermercado me falou inclusive que eles vão fechar nas próximas duas semanas”, complementa Bouças.

O poços-caldense mora com o filho de 20 anos, Patrick – a esposa e outra filha estão em Poços de Caldas. Ele trabalha com encanamento.


Paulo e o filho Patrick, em Mount Vernon
Segundo Bouças, ‘têm brasileiros que não quer aceitar a verdade, mas as coisas se complicaram, e aquele mundo colorido do imigrante desabou.  O verão está chegando, mas as expectativas são remotas daqui pra frente’, considera.

‘Falo com minha esposa no Brasil todos os dias, é uma válvula de escape para suportar tudo o que está acontecendo por aqui’.

‘Viver em país estrangeiro não é fácil. Muitas coisas aqui são ilusão e você toma consciência da realidade em momento como este, de reflexão. Estou dividido entre Mount Vernon e Poços de Caldas, mas às vezes penso nos meus familiares, é complicado’, desabafa Paulo.

Amigos infectados pelo coronavírus

‘Tenho dois amigos aqui em Mount Vernon – preferiu omitir os nomes – que estão em fase de recuperação da Covid-19. Eles foram para o hospital, mas ainda não sei, no momento, como eles estão’, fala com preocupação.

Indagado de como está se mantendo – aluguel, comida, remédio, locomoção – disse Paulo Bouças que está usando as economias que guardou para emergência. ‘Tem gente que está sem nada, trabalha pela manhã para comer à noite’.

‘Vez em quando saio para fazer um par time (trabalho temporário) porque  a empresa que eu trabalho está fechada. Apenas dois funcionários estão lá, o restante foi dispensado’, conta.

‘Mount Vernon é hoje uma cidade triste, todo comércio fechado – exceto supermercado, farmácia e posto de gasolina. Dizer que aqui está tudo bem, não é verdade. Estamos em Nova York, o epicentro do coronavírus. Todos têm medo, todos temem pelo pior, infelizmente’.

Walther Alvarenga

#NãoSaiadeCasa






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