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Biden promete unificar, não dividir, lembrando que América “é o farol do mundo”

 

O mundo pôde acompanhar o momento histórico dos EUA, com o primeiro discurso de Joe Biden, após ser declarado eleito presidente do país. "Prometo ser um presidente que não quer dividir, mas unificar."  Kamala Harris abriu o evento, reconhecendo ser a primeira mulher, e negra, a assumir a vice-presidência na história do país

 

O mundo parou para ouvir o discurso do presidente eleito dos EUA, Joe Biden. Incisivo em seu pronunciamento, e respondendo as expectativas dos que o apoiaram, o democrata falou em Wilmington, no estado de Delaware, cidade por onde ele se lançou na política. Visivelmente emocionada, a vice-presidente eleita, Kamala Harris, abriu o evento, impactando as mulheres com sua fala determinada, mostrando garra e reconhecendo ser a primeira mulher, e negra, a assumir a vice-liderança presidencial na história do país. 

Para os imigrantes indocumentados, uma fresta de esperança no processo de legalização, após quatro anos de incerteza e perseguições que marcaram o contundente mandato do presidente Donald Trump. 

Joe Biden disse em seu primeiro discurso como presidente eleito, que pretende unir o país, defendendo a ciência, agradecendo o apoio da comunidade negra, das mulheres e disse que a América vive, agora, o "tempo de curar". "Prometo ser um presidente que não quer dividir, mas unificar. Alguém que não vê os estados vermelho e azul, e, sim, os Estados Unidos. E que trabalhará com todo o coração para conquistar a confiança de todo o povo."

 "Esta noite o mundo inteiro está olhando para a América. Eu acredito no nosso melhor. A América é um farol para o mundo com o seu melhor. Nós vamos liderar não apenas pelo exemplo do nosso poder, mas também pelo poder do nosso exemplo."

O democrata agradeceu pelos 74 milhões de votos, um recorde da história dos EUA, superando, inclusive, a votação de Barack Obama. "Eu preciso admitir que fui surpreendido hoje à noite ao ver em todo o país, todas as cidades, todas as partes do país, inclusive no mundo todo, uma explosão de alegria, de esperança e de fé renovada. E amanhã será um dia melhor", disse, pedindo aos eleitores de Trump que “abandonem a retórica agressiva”. "A todos vocês que votaram no presidente Trump, eu entendo a frustração de vocês. Eu perdi algumas vezes. Vamos dar uma chance um ao outro", declarou Biden.

 Quanto à pandemia, Biden foi enfático: "Eu não vou economizar nenhum esforço, nenhum comprometimento para conseguir dar a volta por cima e derrotar essa pandemia. Eu sou um democrata orgulhoso, mas vou governar como um presidente americano. Nosso trabalho é muito duro para todos aqueles que não votaram em mim e também para aqueles que votaram. Vamos acabar com essa demonização na América. Vamos fazer isso acabar aqui e agora."

O presidente eleito disse que nesta segunda-feira  - 9 -, indicará especialistas para um conselho que discutirá um plano de combate à Covid-19, que deve começar a ser implantado após a sua posse, em 20 de janeiro. A doença já matou mais de 237 mil pessoas nos EUA.

 "Hoje nosso trabalho começa para ter a Covid sob controle. Não podemos ter a economia restaurada com uma doença que vai tirando vidas. Não temos nossas crianças, não podemos ter grandes comemorações. Só vamos conseguir isso quando estiver tudo sob controle. Na segunda-feira, eu vou nomear um grupo de cientistas de ponta como conselheiros para ajudar e levar um plano para começarmos no dia 20, 21 de janeiro o plano contra a Covid."

 Biden afirmou ainda que quer "reconstruir a espinha dorsal da América" e "tornar os Estados Unidos respeitáveis lá fora de novo". Ele destacou que terá a honra de ter a Kamala Harris como vice-presidente, que faz história por ser "a primeira mulher, a primeira negra, a primeira mulher sul-asiática, a primeira filha de asiático". "Não me digam que não é possível nos Estados Unidos. Já era mais do que tempo."

 "É hora de deixar de lado aquela retórica mais dura, de baixar a temperatura, de ver cada um, de encontrar-se, de ouvir um ao outro e de fazer progressos. Para fazer isso, precisamos tratar os oponentes não como inimigos, mas, sim, como americanos, já que são americanos. A Bíblia diz que para tudo tem uma estação, tempo para construir, tempo para plantar, tempo para colher e tempo também de curar. E este é o tempo de curar na América."

 

Apelo ao Congresso

 O presidente eleito também fez um apelo ao Congresso para que exista uma "cooperação" em um trabalho em conjunto com democratas e republicanos. "A recusa entre democratas e republicanos de cooperarem um com o outro não é uma força misteriosa fora de controle. É uma decisão. É uma escolha que fazemos. E, se podemos decidir não cooperar, também podemos decidir cooperar."

"Eu acredito que isso faz parte do mandato que nos foi dado pelo povo americano. Eles querem que nos cooperemos pelo interesse deles. E esta é a escolha que eu faço. Eu faço um apelo ao Congresso, a democratas e republicanos, igualmente, para que façam essa escolha comigo."

 "A história americana tem a ver com, aos poucos, ir aumentando as oportunidades na América. Estejam certos que muitos sonhos foram adiados por muito tempo. Nós precisamos fazer com que a promessa desse país seja real para todos, não interessa a sua raça, etnia, fé, identidade", acrescentou.

 No fim do discurso da vitória, Biden voltou a pedir a união da população em busca de uma "nação unida, forte e curada". Neste momento, ele citou a águia, o símbolo dos Estados Unidos. "Agora, nas asas da águia, vamos juntos com Deus fazer o que é possível fazer." 

"Com nosso coração cheio, com mãos fortes, com a fé nos americanos, com amor pelo país, com sede por justiça, deixe-nos ser a nação que sabemos que podemos ser: uma nação unida, forte e curada. Nos EUA, nunca houve nada que não fôssemos capaz de fazer. Vamos nos lembrar disso."

Biden lembrou que os EUA passam por momentos de inflexão, quando a população toma decisões difíceis sobre quem é e o que quer ser, e lembrou ainda a participação na história do país dos ex-presidentes dos EUA Franklin D. Roosevelt e Barack Obama. 

"Nós estamos em um ponto de inflexão. Temos a oportunidade de derrotar o desespero e de construir uma nação próspera com propósito. Podemos fazer, eu sei que nós podemos. Eu falei muito sobre a luta pela alma da América. Precisamos restaurar a alma da América", afirmou.

 

Kamala Harris cita John Lewis


Filha de uma indiana e o pai jamaicano, a vice-presidente eleita, Kamala Harris, dedicou parte de seu discurso para falar sobre as conquistas das mulheres e a importância de servir de exemplo ao assumir o posto no Executivo americano. Ela citou John Lewis, que foi o pioneiro a combater o racismo. 

A democracia é forte o suficiente quanto a nossa vontade de lutar por ela, guardá-la e nunca achar que ela vem de graça. Proteger a nossa democracia requer luta, sacrifício, mas há alegria e progresso nisso, porque nós, o povo, temos o poder para construir um mundo melhor", afirmou a vice-presidente eleita.

 

Walther Alvarenga

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